8 de setembro de 2016
Plano é assinar em dez dias acordo com bancos que vão estruturar oferta, que estava prevista para 2015 BRASÍLIA A Caixa Econômica Federal (CEF) deve lançar ações na Bolsa da área de Seguridade do banco no primeiro semestre do ano que vem. Em entrevista ao GLOBO, o presidente da instituição, Gilberto Occhi, afirmou que as negociações com as instituições financeiras que estruturarão a operação — uma oferta inicial de ações, ou IPO, na sigla em inglês — estão avançadas e um acordo deve ser assinado dentro de dez dias.
Segundo Occhi, o governo analisa qual será a melhor “janela de oportunidade” para fazer o lançamento das ações. A expectativa é que as condições do mercado financeiro internacional — que está submerso em dúvidas com relação ao aumento de juros nos Estados Unidos e ao crescimento global — permitam que o IPO ocorra na primeira metade de 2017. Mas, caso seja necessário, o governo esperará até o segundo semestre para vender as ações da Caixa Seguridade, empresa que atua nas áreas de seguros e previdência. Seria mais um adiamento.
A operação estava planejada para o ano passado, mas não vingou porque o mercado financeiro estava desfavorável e o Brasil estava mergulhado em inseguranças econômicas e políticas que representavam um risco maior para o investidor e, consequentemente, reduziam a demanda por IPOs. A situação piorou com a proximidade do impeachment e a antiga gestão, engavetou a operação.
Desde junho de 2015, nenhuma companhia promoveu IPO na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). O último foi o da Par Corretora, corretora de seguros que tem a Caixa Seguros Holding (da qual CEF é sócia) e a GP Investments entre os principais acionistas. A operação levantou R$ 602,8 milhões junto aos investidores.
Agora, com o afastamento da ex-presidente Dilma Rousseff aprovado pelo Senado e o fim da interinidade do governo Michel Temer, a ordem é correr com a estruturação dos negócios que podem render recursos para o debilitado caixa da União.
— A gente vai fazer. Isso já esta definido. O governo conta com o IPO da Caixa Seguridade e de mais duas empresas. O que não tem ainda é o valor — explicou o presidente da Caixa.
banco vai explorar cassinos e jogos de azar
Gilberto Occhi informou que já concluiu as principais tratativas com os bancos que devem estruturar o IPO e que faltam apenas detalhes técnicos para assinar um contrato. Essas instituições são responsáveis, entre outras coisas, de realizar uma pesquisa de mercado internacional para estimar o valor de uma empresa que ainda não possui capitalização de mercado.
— Em dez dias, devemos fechar com os bancos que vão estruturar a operação — estimou Occhi. — A gente está se preparando. Os prazos não dariam para este ano. Vamos esperar a janela de oportunidade. Não podemos precisar quando, mas estamos trabalhando para que seja no primeiro semestre.
Numa outra frente, o governo tenta levantar recursos com a Caixa para a exploração de cassinos e bingos no país. Esse novo negócio, entretanto, ainda está em análise no Senado, mas pode ser votado na semana que vem. De acordo com Occhi, a Caixa, por ter a experiência das loterias, foi o banco indicado para ser o gestor dos jogos de azar.
— O governo federal é que vai ser o dono do negócio. A maior parte do resultado dos jogos vai para a seguridade, para a Polícia Federal e para o sistema prisional — lembrou o executivo da Caixa.
Em relação ao jogo do bicho, Occhi explicou que esse negócio será tocado pelos estados e não pela União, mas a Caixa poderá fechar acordos com cada unidade da federação para prestar serviços como o sorteio.
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