10 de agosto de 2016
A crise tem fortalecido a presença dos micro e pequenos negócios no mercado segurador. A preocupação com a falta de caixa para lidar com prejuízos inesperados tem gerado demanda e feito seguradoras apostarem em produtos específicos para o setor.
De acordo com Antonio Trindade, presidente da Chubb no Brasil, “este é um período favorável para a comercialização de todas as coberturas disponíveis”, principalmente para as Pequenas e Médias Empresas (PMEs).
“Nesta crise, dificilmente uma PME possui margem para lidar com prejuízos inesperados. Assim, o setor tem percebido novos riscos”, avaliou o executivo ao DCI.
O presidente reforça que, principalmente em relação a casos de falência, insolvência ou recuperação judicial, os credores se somam aos que podem processá-los. “Nas PMEs, os administradores não contam com uma área jurídica bem estruturada para defendê-los nesses processos e, por isso, tem procurado proteção frente a esse tipo de risco, mesmo durante a crise”, completa Trindade.
Embora o alto índice de desemprego – que já alcança 11,6 milhões de brasileiros – tenha impulsionado a criação de empresas, o volume de negócios em recuperação judicial também evoluiu na mesma proporção.
Segundo a Serasa Experian, foram mais de 851 mil empresas criadas entre janeiro e maio, alta de 3,5% em relação ao ano passado, com 80,3% sendo Microempreendedores Individuais (MEIs). O volume de recuperação judicial, no entanto, também está 87,6% maior do observado em 2015.
Para Tulio Carvalho, superintendente executivo de produtos massificados do Grupo BB e Mapfre e Wagner Rodrigues Torres, gerente executivo de riscos de pessoas da mesma instituição, os seguros empresariais têm ganhado espaço, não somente entre os consumidores, mas também nas seguradoras.
“Com a necessidade de preservar o patrimônio e o investimento, esse tipo de contratação é cada vez mais explorado. Além disso, mesmo em empresas perenes, a manutenção do negócio em casos inesperados ou acidentais não vem só da parte financeira, mas em relação à capacidade de emprego também. Se não tem caixa para perda material, quem dirá para manter a força de trabalho. E é aí que o seguro condiciona a continuidade desse negócio”, diz Carvalho.
Proteções
Segundo Trindade, os seguros oferecidos para as PMEs são praticamente os mesmos voltados para os grandes negócios. “O que muda é o modo como as proteções são comercializadas”, disse.
“Nossos parceiros comerciais precisam de uma produção em larga escala, relacionando-se com um grande número de clientes ativos e potenciais. Além do D&O [seguro de responsabilidade civil para altos cargos], o seguro de vida, em particular, dispõe de amplo leque de coberturas adicionais, além da possibilidade de agregar planos de capitalização e assistências”, destaca.
De acordo com Carvalho e Torres, do BB e Mapfre, são recomendáveis planos tradicionais e, a depender do setor e das características da empresa, somar a demais proteções.
“Dano elétrico e lucro cessante [cobre despesas em caso da necessidade de pausa das atividades], por exemplo, são importantes para auxiliar no suporte ao momento de prejuízo, honrar despesas fixas e retomar as atividades o quanto antes. No caso dos MEIs, há ainda a possibilidade de contratar seguro como pessoa física, declarando que trabalha e sendo amparado da mesma forma”, diz Carvalho ao DCI.
“Já no caso de vida, as demandas mais fortes são em relação à proteção de crédito em caso de morte ou invalidez de um dos sócios, onde a seguradora arca com despesas internas e externas, além de facilitar o processo de compra das partes do falecido pelos demais sócios. O objetivo é repor uma capacidade de geração de renda”, afirma Torres.
Os entrevistados ainda afirmam que as PMEs correspondem a 30% da arrecadação do mercado segurador, e destacam que, com as seguradoras mais voltadas para o setor, a tendência é de crescimento.
“A tendência é que esse setor impulsione o mercado de seguros e que esse percentual cresça, principalmente porque 70% das PMEs são clientes potenciais que ainda não tem nenhum tipo de seguro”, conclui Carvalho, do BB e Mapfre.
“Uma grande fatia, que antes não comprava seguro, hoje quer se proteger melhor e focar em suas atividades específicas. O aumento de PMEs nos traz a necessidade de elaborar e disponibilizar produtos mais simples, ágeis e fáceis, que todos possam compreender e que tragam valor agregado ao dia a dia da companhia”, conclui Glaucia Smithson, responsável pelas linhas corporativas da Zurich do Brasil.
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