8 de abril de 2016
[caption id="attachment_38397" align="alignleft" width="300"] Anthero Meirelles, diretor de fiscalização do Banco Central[/caption]
Para Anthero Meirelles, hoje não há apetite dos bancos públicos e privados de ampliar os financiamentos, bem como não há demanda
O diretor de Fiscalização do Banco Central, Anthero Meirelles, salientou que a percepção é a de que o risco da economia doméstica aumentou. "Isso começou a bater no crédito, como não podia ser diferente", disse. Ele acrescentou, no entanto, que os efeitos negativos sobre os sistemas bancário e financeiro seguiram "controlados".
Apesar da declarada estratégia do governo de reativar a economia através da ampliação do crédito, Meirelles afirmou que hoje não há apetite dos bancos públicos e privados para ampliar os financiamentos, bem como não há demanda.
Para o diretor, é preciso primeiro retomar a confiança das famílias e das empresas para que depois se possa observar um crescimento nessa área. "Aumento de crédito, estímulo ao crédito pode funcionar num momento de recuperação de confiança", disse. "Acho que o crédito voltará a crescer quando esses níveis de confiança estiverem se recuperando".
Para este ano, o diretor espera que a inadimplência continue crescendo. "Não esperamos nada explosivo, nenhuma ruptura", ponderou. Segundo ele, o nível de provisão das instituições é confortável. "O sistema financeiro é um elo forte dessa corrente", afirmou.
Bancos. Em meio ao cenário de recessão econômica e restrição de crédito, a rentabilidade do sistema bancário aumentou no segundo semestre do ano passado. De acordo com o relatório, esses ganhos foram influenciados por resultados positivos dos bancos privados, com destaque para ajustes nas taxas de juros de concessão, maior diversificação de receitas e resultados não recorrentes. Além disso, a elevação da alíquota da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) das instituições financeiras proporcionou ganhos contábeis com ativação de créditos tributários.
"Em contrapartida, os bancos aumentaram suas provisões, preparando-se para um cenário adverso, com perspectiva de baixo crescimento das concessões e de aumento da inadimplência", ponderou o REF.
Cautela. O BC apresentou hoje, por meio do Relatório de Estabilidade Financeira (REF); um cenário mais cauteloso para o sistema financeiro e bancário doméstico este ano. A perspectiva de baixo crescimento das concessões continuará a reduzir a participação do crédito na formação do resultado dos bancos em 2016, segundo o regulador. "Assim, segue a tendência de maior contribuição das receitas de serviços, seguros e cartões na composição do lucro líquido", destacou a instituição no documento.
O BC também alertou para a previsão de que os ganhos com eficiência tendem a ser menores este ano. Isso porque, de acordo com o REF, "esforços nesse sentido já vêm sendo empreendidos há um bom tempo". Para a autoridade monetária, há esgotamento nesse resultado.
A inadimplência mais elevada também implicará em maiores despesas com provisões este ano, na avaliação do BC. Isso significa, de acordo com REF, que haverá queda das margens líquidas de intermediação e crédito, pressionando a rentabilidade do sistema. A instituição destacou que essa preocupação cabe, em especial, para os bancos públicos. Essas instituições, segundo o BC, carregam em seus portfólios maior proporção de linhas de crédito de menor margem.
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