31 de março de 2016
O Centro Colaborador em Álcool e Drogas do Hospital de Clínicas de Porto Alegre anunciou em coletiva de imprensa na manhã desta quarta-feira (30) o início dos testes com o drogômetro nas operações de fiscalização do Rio Grande do Sul. O projeto-piloto da pesquisa de campo, que será realizado com o apoio do Detran/RS e da Polícia Rodoviária Federal, está previsto para começar no mês de abril e os resultados devem ser anunciados em outubro no Congresso Internacional de Álcool e Drogas. Os resultados desses testes serão argumentos fundamentais para homologação dos equipamentos e regulamentação nacional sobre detecção de drogas em motoristas.
Os testes com drogômetro fazem parte de uma ampla pesquisa do Cepad com a Secretaria Nacional de Política de Drogas que se iniciou no ano passado, com análise da literatura, estudo da legislação de outros países e identificação dos aparelhos existentes no mercado, além de testes prévios com voluntários. A etapa de aplicação no ambiente de fiscalização será realizada nas operações da Balada Segura e blitze regulares da Polícia Rodoviária Federal com os cinco aparelhos selecionados. No projeto-piloto, serão realizados 250 testes em motoristas. Também serão entrevistados 50 agentes de fiscalização com relação ao manuseio dos equipamentos e aplicabilidade dos testes no ambiente de blitz.
O diretor-geral do Detran/RS, Ildo Mário Szinvelski, informa que após a finalização das pesquisas, caso os resultados sejam positivos, o processo de regulamentação deverá ser rápido. Szinvelski ressaltou que o assunto já é debate na Frente Parlamentar em Defesa do Trânsito Seguro, da Câmara Federal, e seus membros estão comprometidos com a agilização do processo e regulamentação no menor prazo possível. “Tão logo seja homologado, o Detran/RS utilizará o equipamento em todas as suas ações de fiscalização. Com a intensificação do uso do etilômetro nos últimos anos, conseguimos um resultado positivo na redução de acidentes no Estado. Não tenho dúvidas que os resultados serão ainda melhores com o uso do drogômetro”.
Na prática
Aqueles condutores que de qualquer forma não poderiam sair conduzindo o veículo (flagrados sob o efeito de álcool ou autuados por recusa) serão convidados a fazer a pesquisa. Com o consentimento do motorista, os pesquisadores farão um questionário e coletarão uma pequena quantidade de saliva (cerca de1ml). A saliva será testada nos aparelhos disponíveis e terá o resultado confirmado em análise laboratorial posterior. O motorista que participar dos testes não será penalizado por um eventual resultado positivo e terá sua identidade preservada.
O drogômetro
Utilizado em diversos países do mundo, como Austrália, Reino Unido, Estados Unidos e Noruega, o drogômetro consegue detectar várias classes de substâncias psicoativas. Os aparelhos que serão testados no Rio Grande do Sul detectam cocaínicos, canabinóides (maconha e derivados); metanfetaminas (incluindo os chamados “rebites”) opióides e benzodiazepínicos.
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