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ARTIGO: Ascensão e proteção da carreira, por Flavio Sá

Alavancar a carreira, assumir uma posição C-Level e participar diretamente da gestão de uma organização. E ...



Geral
26 de fevereiro de 2016

Alavancar a carreira, assumir uma posição C-Level e participar diretamente da gestão de uma organização. Esses são objetivos em comum de 99% dos executivos, certo? Ainda mais em um mercado saturado, que convive com os avanços tecnológicos e acirramento da concorrência. Tais atribuições geram demandas e obrigações proporcionalmente relevantes e isso tem mudado um pouco o olhar dos profissionais do mercado.


Uma recente pesquisa realizada pelo site Career Builder mostrou que apenas um terço dos profissionais entrevistados pleiteiam posições de liderança. Será que o mundo está criando aversão a cargos de chefia e as pessoas andam com medo de tal exposição? É claro que a análise não deve ser tão superficial.


Mas o que causa essa desmotivação compartilhada? A pesquisa revela que um dos principais responsáveis é o maior acesso à informação, que favorece o entendimento do sucesso de maneira ampla, representando algo que vai além da posição ocupada na companhia. O argumento é válido, mas levo a discussão para os riscos reais.


Tenho observado que, ano após ano, com o alto nível de profissionalização das empresas, os cargos mais altos têm sido observados na lupa, com cobrança por resultados redobrada e controle mais rigoroso do seu modus operandis. Alguns dizem se tratar do ônus de ser gestor.


Essa exposição, diretamente ligada às ferramentas de compliance incorporadas recentemente, como a Lei-Anticorrupção, por exemplo, estimula os executivos e as empresas a avaliarem melhor os riscos ao aceitarem um novo desafio. Nos últimos anos, constatamos impérios pessoais e corporativos ruírem devido a atos administrativos falhos, enterrando carreiras bem-sucedidas de executivos brilhantes.


Mas como proteger patrimônios e indivíduos de eventuais atos de má gestão? As seguradoras oferecem produtos específicos para resguardar esse tipo de situação, chamados de Responsabilidade Civil para Administradores – ou pela sigla em inglês D&O (Directors & Offices); que reúne basicamente coberturas para proteção do patrimônio pessoal dos administradores, exposto em decorrência de ações, omissões e decisões de gestão nas empresas que, se questionadas, podem comprometer esse patrimônio.


Já consolidado em mercados securitários maduros, como EUA e Europa, o D&O ganhou musculatura no Brasil na última década, ofertado por companhias com expertise global. A AIG Brasil, que trouxe o produto ao País na década de 1990, aplicou extensões de garantia inéditas, com menos restrições e mais capacidade, contando com a expertise mundial devido à operação em mais de 90 países e liderança de mercado em vários desses países. O D&O garante reclamações de natureza cível, trabalhista, tributária, consumerista ou previdenciária em processos judiciais, administrativo ou arbitral. Existe amparado para indenizações, composição amigável e cobertura para honorários advocatícios.


Em linhas gerais, nessa apólice, as seguradoras avaliam fatores de risco na operação da empresa, como o perfil de seus acionistas, situação financeira, práticas de governança corporativa, histórico de litígios, entre outros. De acordo com os dados publicados pela Superintendência de Seguros Privados (Susep); esse mercado cresceu 150% de 2010 a 2015, passando de R$ 119 milhões de prêmio arrecadado para R$ 298 milhões. Neste mesmo movimento, as indenizações pagas pelas seguradoras passaram de R$ 58 milhões em 2010 para R$ 142 milhões em 2015, aumento de 145%.


Embora sendo impulsionado no mercado interno brasileiro, o seguro D&O ainda é desconhecido por boa parte dos executivos, fato que corrobora essa aversão por cargos de gestão. É sabido que ainda há um grande caminho a ser percorrido no que tange o conhecimento dessas ferramentas que asseguram rotina e bens dos profissionais, mas essas discussões já são mostras da evidente verdade de que a ascensão na carreira é sim um desafio positivo, basta estar preparado e devidamente resguardado.



* Flavio Sá é Gerente de Linhas Financeiras da seguradora AIG Brasil.





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