25 de fevereiro de 2016
Na tentativa de não perder clientes durante a crise, o mercado de seguros de automóveis tem adotado a teoria da evolução
Na tentativa de não perder clientes durante a crise, o mercado de seguros de automóveis tem adotado a teoria da evolução, do cientista Charles Darwin: sobrevive quem se adapta melhor ao meio. Prova disso são as novidades das seguradoras para diminuir o impacto da recessão, como aumento de prazos para pagamento, incentivo a políticas de descontos e oferta de produtos mais baratos.
Números da Itaú Seguros são um exemplo do quanto o consumidor está se esforçando para adequar a cobertura ao orçamento doméstico. Em 2015, as vendas do produto Auto Roubo cresceram 92% em relação ao ano anterior. Isso porque, como o seguro cobre apenas o roubo do veículo, o valor chega a ser até 50% menor do que o de um contrato convencional, com cobertura mais ampla, que protege contra incêndio e acidente.
Lauro Faria, professor da Escola Nacional de Seguros, avalia que, durante a crise, é melhor ter um seguro mais modesto do que nenhum:
— Numa situação de dificuldade, é evidente que as pessoas vão procurar o que é mais essencial: cobrir o risco que é maior, o que, nas grandes cidades, principalmente, são o roubo e o furto. Vale a pena.
Sérgio Mendonça, diretor Porto Seguro no Rio, explica que uma das formas de economia é ficar de olho nos benefícios que a seguradora oferece, às vezes desconhecidos.
— Temos, por exemplo, um cartão Visa ou Mastercard que dá desconto de 5% no prêmio do seguro. E temos a campanha Trânsito+Gentil: o segurado que não tem multa nos últimos 12 meses ganha 7% de abatimento — explicou Mendonça, acrescentando que os descontos são cumulativos, podendo totalizar 12%.
Opção de seguro semestral
Para se adequar ao momento de crise, o grupo Banco do Brasil (BB) e Mapfre lançou, em dezembro, um seguro semestral, no qual o cliente paga 50% do valor do anual.
— O produto foi pensado justamente para atender nosso público num momento de restrições financeiras, de aperto de cinto das famílias. Já estávamos observando o aumento do desemprego e a redução do orçamento familiar — declarou Jabis Alexandre, diretor geral de Massificados e Automóvel do grupo.
Além de o consumidor poder adaptar o produto à uma dificuldade momentânea, o seguro semestral pode ser dividido em até cinco vezes sem juros, enquanto o parcelamento de quem busca a cobertura anual é de até seis meses.
— Então, se renovar o seguro na mesma modalidade (semestral); você estará alongando o parcelamento (de seis para dez vezes) — disse.
Para Almir Ximenes, superintendente executivo de Auto e Ramos Elementares do Bradesco Seguros, a tendência é que, com a crise, aumente a procura por menos coberturas, para baratear o seguro:
— Quem tem assistência de reboque para 600 quilômetros e carro reserva por 30 dias, por exemplo, vai adotar um reboque para cem quilômetros e um carro reserva de dez dias. Enfim, vai tentar equilibrar para o custo se encaixar na renda.
Ele, no entanto, sugere uma alternativa:
— O consumidor pode mensurar a perda que terá com o carro, mas não o dano que causará a outros. Então, na pior das hipóteses (financeiras); a pessoa precisa contratar um seguro para terceiros, que cubra danos materiais, corporais e morais.
Adaptar o seguro ao orçamento foi o que fez o administrador de empresas Phillipe Faria, de 26 anos:
— Meu carro é um Fiesta 2003. No ano passado, eu paguei R$ 1.800 de seguro. Este ano, o valor para o meu carro chegou a R$ 2.700. Por causa da crise, e pelo fato de que a empresa não queria fazer seguro, já que o valor estava muito alto, eu mudei de seguradora. A diferença é que, pelo contrato anterior, se houvesse furto do carro, a companhia me indenizaria em até 30 dias. Mas esse novo contrato me dá um prazo de até 90 dias. Mas o que vale é que u vou pagar R$ 1.536 em um ano. Foi um bom negócio porque, este ano, o orçamento está mais apertado. Conheço muita gente que optou por não ter o seguro, por causa do valor elevado.
DE OLHO NAS ALTERNATIVAS
Caixa Seguradora
Recentemente, a seguradora passou a parcelar o seguro em até dez vezes, sem juros, na modalidade débito em conta, para os segurados que têm consórcios e financiamentos de veículos. Para os demais clientes, o parcelamento permanece em até quatro vezes sem juros.
SulAmérica seguros
Além do contrato tradicional, a empresa tem coberturas básicas, como a de colisão e incêndio e a de roubo e incêndio. Algumas pessoas, quando não podem contratar o seguro total do veículo, optam apenas pela apólice de responsabilidade civil, para se proteger de situações que envolvam terceiros.
Itaú Seguros
Desde dezembro, o cliente da empresa pode optar por fazer o pagamento em até dez vezes sem juros, tanto com cartão de crédito, quanto por meio de débito em conta. A empresa também oferece um produto que cobre apenas roubo.
BB e Mapfre
O grupo trabalha com descontos nas franquias, que podem chegar a 40%. Se o segurado tem um bônus de 10%, porque ficou um ano sem ter sinistro (ocorrência); ganha 10% de desconto na franquia. Se ficou dois anos, são 15%. O abatimento sobe 5% por cada ano que o segurado não tem sinistro, até o máximo de 40%.
Bradesco Seguros
A seguradora oferece a opção do Bradesco Auto Assistência Total, que garante somente os prejuízos causados a terceiros, como danos materiais, corporais e morais, além de assistência ao veículo e à residência do segurado. O valor é de dez parcelas de R$ 49,90.
VEJA TAMBÉM
Iniciativa reuniu mulheres para discutir investimentos, formação de patrimônio, previdência e proteção fin ...
Última prova do ano será realizada no dia 29 de novembro, no Complexo Turístico da Ponta Negra, às margens ...
Palestra promovida pela SulAmérica reuniu mulheres na sede do SindsegSC para falar sobre saúde.






