9 de outubro de 2015
Quarenta e oito pessoas foram presas, nesta quarta-feira (7); acusadas de participar de um grande esquema de fraude de seguros de carros, que teve início em Santa Catarina. O caso vinha sendo investigado há cerca de um ano e meio pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) do Ministério Público do Rio e de Santa Catarina.
A quadrilha usava carros de luxo como BMW, Fusion, entre outras marcas, para praticar o esquema, por conta do alto valor do seguro. De acordo com o MP, no Rio foram expedidos 72 mandados de prisão, enquanto que, em Santa Catarina, 78, e no Paraná, mais 3.
Segundo promotor de Santa Catarina, Fabiano Baldissareli, e o major da Polícia Militar deste estado, José Ivan Schelavin, quatro acusados aliciavam pessoas no Rio para conseguir o reembolso do valor do seguro. Os carros eram transportados em caminhões-baú com documento e chaves até o Sul do país. Cada transportador que fazia o trajeto Rio-Santa Catarina ganhava de R$ 1.500 a R$ 1.800. Depois, os proprietários faziam o registro de ocorrência na delegacia como se o automóvel tivesse sido roubado, mas sem dar muitos detalhes do crime. Em seguida, os veículos eram desmontados e suas peças revendidas em cerca de 46 estabelecimentos comerciais.
Dois dos líderes da quadrilha já foram presos no Rio. Eles foram identificados como Elson da Silva e Souza e Rafael Soares Fontes. O primeiro era morador de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, e foi encontrado no bairro de Realengo, na Zona Oeste. Eles serão transferidos para Santa Catarina e os proprietários ficarão no Rio de Janeiro. Outros dois chefes do bando seguiam foragidos até o fechamento desta matéria, assim como outras 23 pessoas.
Entre os presos na capital fluminense estão um capitão do 21º BPM (São João de Meriti); um sargento do 17º BPM (Ilha do Governador) e um soldado do Centro de Manutenção de Materiais. Todos os militares são da Polícia Militar. Na entrevista coletiva, o corregedor interno da PM, coronel Yunes, afirmou que abriu uma investigação dentro da corporação para saber mais informações da participação destes agentes. O chefe da Coordenadoria de Inteligência do Rio, coronel Antonio Jorge Goulart, falou sobre a prisão destes criminosos. “A nossa expectativa é que com a desarticulação da quadrilha tenhamos algum tipo de ganho no sistema de metas do Estado. O objetivo é reduzir o índice de homicídio, roubo de rua e de veículos. As polícias Militar e Civil têm feito uma parceria para tentar cumprir a meta de roubo de veículos. Em alguns lugares, nós não estamos conseguindo. A gente espera que aproxime a estatística real da oficial. Trabalhamos com manchas criminais que na verdade não existem”, explicou.
As autoridades afirmaram que não há um balanço de quanto foi o prejuízo financeiro das seguradoras. Os envolvidos serão enquadrados nos seguintes crimes: furto; roubo; falsa comunicação de crime; estelionato; adulteração de veículo; e associação criminosa. Para a realização da operação, foram mobilizados cerca de quinhentos policiais do Rio e de Santa Catarina.
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