24 de agosto de 2015
Essa disparada do CDS ocorre em meio à piora da percepção do risco de países emergentes
O Credit Default Swap (CDS) do Brasil, uma medida de prêmio de risco do país, disparou na semana passada e alcançou o maior patamar desde o início da série histórica revisada, em abril de 2009. O prêmio do CDS de cinco anos, espécie de seguro contra calote da dívida soberana, bateu na sexta-feira em 346 pontos-base, alta de 19 pontos em relação ao dia anterior, segundo dados da Markit. No mês de agosto, o CDS já subiu 12,62% e no ano avança 64,18%.
Essa disparada do CDS ocorre em meio à piora da percepção do risco de países emergentes. O prêmio dos papéis de outros emergentes também avançou: no caso do México, a alta foi de oito pontos, para 155 pontos-base. Mas a deterioração do humor em relação ao Brasil tem ocorrido de forma mais rápida e intensa, com investidores ajustando os preços ao quadro negativo do cenário doméstico, que reforça a aposta de que o país está próximo de perder o grau de investimento.
O mercado tenta antecipar-se ao risco e, de olho nos indicadores econômicos e políticos, já está ajustando-se ao rebaixamento, explica o economista da MCM Consultores Bernardo Dutra.
A MCM fez um estudo para observar a reação do CDS nos períodos pré-rebaixamento de países que perderam o selo de bom pagador, como Hungria, Rússia, Bulgária, Romênia, Croácia e Colômbia. Em média, a piora começa três trimestres antes do evento e prossegue ainda no trimestre seguinte. Só então começa a haver uma melhora e, em alguns casos, esses preços se acomodam em patamares mais elevados.
Para Dutra, o Brasil deve ter sua nota de crédito soberano rebaixada pela agência de classificação de risco S&P no primeiro semestre de 2016, uma vez que a perspectiva da nota do país por essa agência é negativa e indicadores fiscais e de crescimento vêm em processo de deterioração. Isso significa que os ajustes já incorporam parcialmente o corte do rating, mas ele ainda não é integral, diz.
O que pode detonar a decisão de corte da nota, na visão de Dutra, é a confirmação das projeções mais negativas que o mercado tem feito para o desempenho do superávit primário neste ano, inferiores à meta estabelecida pelo governo. Nós projetamos um superávit de -0,1% do PIB neste ano, diz. Para Dutra, a probabilidade de a Moody\s também cortar o rating brasileiro - o que, tecnicamente, retiraria de forma mais efetiva a condição de grau de investimento do Brasil e elevaria ainda mais os custos de financiamento do país - é baixa.
O dólar, nesse cenário, deve ampliar a volatilidade e alcançar R$ 3,80 durante o período de maior turbulência e retomar o nível de R$ 3,70 no fim de 2016.
No mercado, contudo, alguns analistas preveem uma cotação ainda mais alta já no curto prazo. Segundo o Banco Central, as previsões máximas para o dólar alcançam R$ 3,60 para o fim de agosto, R$ 3,95 em novembro, R$ 4,00 em dezembro e R$ 4,10 no fim de 2016.
Para o Morgan Stanley, a deterioração mais forte das expectativas para o Brasil começou quando o governo anunciou o corte das metas de superávit primário, no fim de julho. Na leitura do banco americano, o aumento do ceticismo do lado fiscal acabou reforçando as incertezas com o quadro político e a condução da política econômica de forma geral, movimento que reduziu o retorno ajustado ao risco dos ativos brasileiros. Não à toa, o real, os títulos públicos de longo prazo e o mercado de ações têm sofrido expressivas perdas desde então. Nesse período, a moeda brasileira caiu 9,21%, o Ibovespa cedeu 11,18% e o preço da NTN-F (Nota do Tesouro Nacional-série F) para 2025 se desvalorizou 4,91%.
Na semana passada, contudo, o real se depreciou apenas 0,39%. O principal ponto que monitoramos é se o Banco Central pode aproveitar esse desempenho do real para deixar vencer alguns swaps cambiais, diz o Morgan.
VEJA TAMBÉM
Iniciativa reuniu mulheres para discutir investimentos, formação de patrimônio, previdência e proteção fin ...
Última prova do ano será realizada no dia 29 de novembro, no Complexo Turístico da Ponta Negra, às margens ...
Palestra promovida pela SulAmérica reuniu mulheres na sede do SindsegSC para falar sobre saúde.






