3 de julho de 2015
Decisão, porém, desagrada grupo que planeja ampliar as investigações de desvios
O relatório final da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Órteses e Próteses será lido na próxima quarta-feira (8); nove dias antes do prazo de encerramento da CPI, informou o deputado Geraldo Resende (PMDB-MS); que preside a CPI.
Contudo, diversos integrantes da CPI querem prorrogar os trabalhos, o que permitiria abrir outras frentes de investigação. Passariam a ser apurados, por exemplo, desvios de materiais do sistema público de saúde do Rio de Janeiro e a formação de cartel na venda de equipamentos no Nordeste. "Esta CPI era para ser mais ampla, era uma CPI para poder, inclusive, desnudar e acabar com a ‘máfia branca’ no Brasil", disse o deputado João Carlos Bacelar (PR-BA).
O relator da CPI, deputado André Fufuca (PEN-MA); acredita que a comissão já identificou o padrão de funcionamento da máfia das próteses e vai poder apresentar uma solução para problema. Ele disse que a comissão que vai solicitar ao Ministério Público e à Polícia Federal que investiguem os assuntos que ficaram de fora da CPI. "Da mesma forma, teremos encaminhamento de projetos de lei. Projetos de lei que considero fundamentais para coibir e impedir essa prática futura", disse.
O deputado Silvio Costa (PSC-PE) foi ainda mais duro e criticou o presidente da CPI pela decisão de encerrar os trabalhos nos próximos dias. "Esta CPI é uma vergonha para o País”, afirmou. “Estou envergonhado desta CPI. Envergonhado desta sua presidência. Você está melando a sua história, Geraldo Resende, com essa CPI.”
O presidente Geraldo Resende respondeu no mesmo tom. “O deputado pouco se faz presente aqui na CPI e, quando vem, vem para tumultuar. É o tipo de prática que ele faz e o tipo de ação que ele faz com o seu mandato. Não cabe a mim fazer julgamento, cabe ao povo de Pernambuco e ao povo que o conhece, fazer essa avaliação”, disse.
Além da polêmica sobre o término dos trabalhos da CPI, a comissão ouviu nesta terça-feira depoimentos de representantes das empresas acusadas de participar da chamada máfia das órteses e próteses, entre eles Sandro Dian, da Stryker. Um dos distribuidores ligados à empresa dele foi citado na reportagem que deu origem à CPI. Sandro garantiu que rompeu relações comerciais com o distribuidor citado.
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