14 de maio de 2015
Sindicado de corretores de São Paulo e corretora on-line respondem a questões polêmicas sobre vantagens e desvantagens das duas modalidades
Provocou polêmica um texto ( http://economia.terra.com.br/vida-de-empresario/seguro-totalmente-on-line-dribla-corretor-para-cortar-custos,c3505be843c73b58765ecdd9aaa8313ew5jnRCRD.html ) publicado no Terra sobre o modelo de negócios da Segurar.com, uma corretora de seguros que dispensa a figura tradicional do corretor e leva o cliente a fazer todo o processo por meio da internet. Muitos leitores, parte deles profissional do setor, criticaram o posicionamento da empresa.
Para ampliar o debate e dar espaço para os dois lados envolvidos na questão, o Terra fez cinco perguntas iguais à Segurar.com e ao presidente do Sindicato dos Corretores de Seguros no Estado de São Paulo (Sincor-SP); Alexandre Camilo. Confira a seguir as considerações de ambos sobre alguns pontos polêmicos.
Quais as vantagens e desvantagens de fazer o seguro com um corretor ou diretamente por um site?
Alexandre Camilo (Sincor-SP) – Por lei, no Brasil, existe a necessidade da presença de um corretor para concretizar a contratação de uma apólice de seguro. Portanto, mesmo sites de venda on-line precisam ter um corretor devidamente autorizado pelo órgão regulador do setor, a Superintendência de Seguros Privados (Susep). Dessa forma, não podemos falar em vantagens e desvantagens. Podemos falar em operações legais ou não.
Segurar.com – Muitos tipos de seguros podem ser contratados sem qualquer dificuldade no ambiente digital. É o caso de seguros emergenciais, viagem, celulares, bike, residencial e também assistências diversas, como guincho, encanador, eletricista – apenas para dar alguns exemplos. Além de sua simplicidade, muitas vezes precisamos contratar um seguro em cima da hora, como o seguro-viagem. Seguros mais complexos, como o de automóveis, no entanto, requerem mais atenção do interessado quando ele está no ambiente digital. Os corretores on-line, portanto, devem apresentar um tutorial claro, passo a passo, funcional e de fácil compreensão. Também devem apresentar ferramentas completas digitais adicionais, como FAQ [Perguntas e Respostas Frequentes] e chat.
O seguro on-line é mais barato do que aquele feito por intermédio de um corretor? Por quê?
Camilo: Os seguros contratados num site de venda on-line de seguros ou através de um corretor tradicional possuem exatamente as mesmas condições de preço. As seguradoras fazem questão de não diferenciar as operações, de modo a não dar benefícios diferentes para um ou para outro, mantendo a competitividade no mesmo patamar, para que não haja canibalização no canal de distribuição. O que pode acontecer é a oferta de um corretor, seja on-line ou não, ser diferente de outro pelo fato de apresentarem um leque de coberturas e serviços diferentes – isto é, produtos diferentes.
Segurar.com: Um dos principais benefícios da internet é a possibilidade da venda em massa. Quanto mais pessoas estiverem comprando um produto ou serviço, maior a tendência a baixar o custo. É uma lei básica em qualquer economia livre. Isso ocorreu de forma ampla em outros setores ao migrarem para a internet, sem, no entanto, anular canais tradicionais competentes, como foi no caso da indústria de viagens. Seguros e assistências mais simples podem ter uma redução importante em seus preços.
Qual a diferença de ter corretor quando ocorre um sinistro?
Camilo: A diferença é gigantesca. No momento de fragilidade do cliente – pois o sinistro sempre decorre de um evento negativo (colisão, roubo, incêndio, alagamento etc.) – a figura do corretor se faz presente para dar todo suporte no recebimento da indenização. O corretor conhece o linguajar técnico do setor e os caminhos nas seguradoras para que os processos fluam da forma mais rápida e eficaz, além de tranquilizar e orientar o cliente nos trâmites burocráticos e operacionais – por exemplo, acompanhando o processo de marcação de vistoria e de conserto do carro em oficinas de funilaria e pintura.
Segurar.com: Os corretores on-line dispõem de canais de atendimento da mesma forma que os tradicionais. E têm todo o interesse em administrar da melhor maneira possível seus clientes junto às seguradoras.
Até quanto o corretor pode cobrar de comissão por um seguro que ele fecha?
Camilo: Existe uma confusão entre comissão e margem de lucro. A maior parte das pessoas entende que um corretor que recebe 15% de comissão aufere integralmente esse valor, o que é uma visão equivocada. Após o recebimento da comissão é necessário abater todos os custos operacionais da corretora, como aluguel, funcionários, impostos, energia, etc., como qualquer empresa. Para um corretor conseguir capturar 5% da comissão como lucro, a gestão de sua empresa deve ser extremamente eficiente. Um comparativo interessante pode ser feito com concessionárias de veículos. O valor da venda do carro deve ser usado para pagar a montadora e a estrutura da concessionária, com seus vendedores, oficina, água, energia, impostos, lucro, etc. O mesmo se dá com o seguro, onde o valor pago pelo cliente, conhecido como prêmio, é direcionado para a seguradora constituir suas reservas para poder pagar os sinistros.
Segurar.com: Segundo a própria Susep, órgão que tem a função de regular e fiscalizar o sistema de seguros, não existe um valor máximo de comissão de corretagem. A comissão é a remuneração dos serviços prestados pelos corretores e é determinada individualmente, por meio de acordos comerciais estabelecidos entre os corretores e as seguradoras. Além disso, a comissão de corretagem varia de acordo com o tipo de seguro e carteira. O Código Civil, que regulamenta a corretagem e o critério para a remuneração do corretor, prevê em seu artigo 725: “A remuneração é devida ao corretor uma vez que tenha conseguido o resultado previsto no contrato de mediação, ou ainda que este não se efetive em virtude de arrependimento das partes.” Quando uma pessoa fecha um seguro, para facilitar a transação, as seguradoras recebem o prêmio com o acréscimo da comissão e a repassa para o corretor quando o contrato é finalizado, isto é, quando ocorre a emissão da apólice.
O que aconteceria se a função do corretor fosse opcional? O que poderia melhorar ou piorar no mercado brasileiro?
Camilo: A situação dos clientes pioraria significativamente. Os produtos de seguros são instrumentos financeiros com linguagem técnica específica (prêmio, franquia, sinistro, danos materiais e corporais, etc.) e com pacotes de coberturas e serviços amplos e muito diferentes entre seguradoras. A função do corretor é interpretar a necessidade do cliente em termos da melhor proteção possível para o risco que se apresenta e buscar em “n” seguradoras a melhor combinação de custo-benefício. Sem a presença do corretor, as pessoas teriam que buscar sozinhas nas “n” seguradoras o pacote de coberturas e serviços e depois fazer um comparativo, provavelmente numa planilha Excel, tentando compatibilizar ofertas diferentes e com linguajar relativamente complexo em função de sua tecnicalidade. Fora a dificuldade na hora do sinistro, conforme descrevemos em pergunta específica acima.
Segurar.com: O impacto da tecnologia da internet vem promovendo, em mercados mais maduros, o aprimoramento da eficiência dos canais comerciais, on-line e tradicionais, principalmente para as cadeias de negócios que exigem apoio e orientação ao consumidor. Lembramos que a indústria de seguros n
o Brasil representa apenas 6% do PIB, ao passo que em muitos outros países este número chega a 12%. Os corretores, sejam on-line ou tradicionais, têm ambos um amplo espaço de mercado para crescer. Na Segurar.com, por exemplo, 80% dos seguros são de novos entrantes no mercado.
VEJA TAMBÉM
Iniciativa reuniu mulheres para discutir investimentos, formação de patrimônio, previdência e proteção fin ...
Última prova do ano será realizada no dia 29 de novembro, no Complexo Turístico da Ponta Negra, às margens ...
Palestra promovida pela SulAmérica reuniu mulheres na sede do SindsegSC para falar sobre saúde.






