12 de maio de 2015
O conjunto de medidas que integram a proposta de ajuste fiscal apresentada pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy, gerou uma expectativa positiva no mercado de seguros, com reflexos, inclusive, no Índice de Confiança e Expectativas do Setor de Seguros (ICSS); calculado a partir de pesquisa realizada pela Fenacor.
No mês de abril, o ICSS teve seu primeiro aumento no ano, fechando em 73,4% (4,6 pontos percentuais acima do mês anterior, quando havia sido apurado o mais baixo índice desde que a pesquisa foi criada, em novembro de 2012). Assim, o segundo trimestre do ano começa com aumento de confiança e sinalizando que asempresas de seguros podem estar um pouco mais otimistas.
O presidente da Fenacor, Armando Vergílio, ressalta que o mercado de seguros tem algumas peculiaridades que precisam ser levadas em conta. “O setor continua apresentando um potencial elevado de crescimento, mesmo diante do cenário instável na economia. Em geral, a expectativa é a de que a queda de receita não seja tão elevada, como em outros segmentos da economia. Isso gera uma melhora na percepção das empresas sobre o futuro”, comenta o executivo.
Francisco Galiza, economista e coordenador da pesquisa, também alerta que ainda é cedo para conclusões: “Vale lembrar que, há 13 meses, o ICSS está abaixo de 100 pontos. Esse comportamento negativo é influenciado principalmente pelo fator que mede as expectativas dos agentes quanto à evolução da economiabrasileira nos próximos seis meses”, analisa.
Na visão dele, trata-se de um aumento que ainda não caracteriza uma tendência, pois há um mês de avanço somente, após três meses de queda pesada. “Por enquanto, pode-se chamar de ajuste”, acrescenta Galiza.
Variação dos indicadores entre dezembro/2014 e abril/2015
Cada índice reflete a visão de três segmentos do setor de seguros: seguradoras (ICES); resseguradoras (ICER) e corretoras (ICGC). O índice é calculado de 0 a 200, em pesquisa com 100 companhias do setor.
Expectativa com o crescimento da economia – Abril 2015
Há mais confiança no crescimento da economia. Entre março e abril, a soma dos índices que apontam expectativas de um cenário “pior” e “muito pior” caiu de 82% para 78%, nas seguradoras; 77% para 63%, nas corretoras; e de 75% para 70%, nas das resseguradoras.
Faturamento
No que se refere à expectativa sobre o faturamento do mercado de seguros, as respostas indicam que 63% das seguradoras; 50% das corretoras e 69% das resseguradoras esperam não ter perdas financeiras nos próximos seis meses, projetando um quadro “igual” ou “melhor” do que o atual. Chama a atenção a divisão entre as seguradoras. Enquanto metade aposta em aumento de faturamento, a outra metade teme queda da receita.
Para Galiza, nesse caso a trajetória é mesmo de baixa. “A divisão dos percentuais é um indicador que deve ser visto como um todo. A maior parte das grandes corretoras aposta que há uma tendência de queda no faturamento: 50% delas. 12% apostam em melhora. O restante com 38% acha que o segmento ainda vai conseguir continuar como está”, comenta o economista.
Já quanto à rentabilidade, o otimismo segue em alta para 62% das seguradoras e 58% das corretoras, que acreditam em melhora ou manutenção de seus números. Contudo, 62% das resseguradoras temem uma queda de rentabilidade.
Isso talvez possa ser explicado pelo fato de as resseguradoras terem registrado bons resultados em 2014 e de haver um consenso de que dificilmente tal cenário vá se repetir em 2015.
Rentabilidade
Sobre uma avaliação dos quatro últimos meses e uma possível projeção do melhor cenário ao final do semestre, Galiza prefere não trabalhar com previsões. “Difícil dizer. Por enquanto, a torcida é que a situação como um todo não piore. A partir daí, esperamos que o cenário comece, aos poucos, a melhorar até o final do ano”, comenta ele, destacando que a palavra do momento para o setor é esperança.
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