5 de maio de 2015
Evento discute alternativas para desenvolver o segmento
Todas as alternativas parecem estar esgotadas. Por anos, o microsseguro foi exaustivamente discutido em reuniões e comissões, o que deu origem a circulares, normas e decretos por parte da Susep. Porém parece que esse ramo do seguro chegou a uma rua sem saída.
“Apesar da minha decepção, porque trabalhamos muito nisso, conversamos, escrevemos, entendi que a partir da oficialização desse segmento e uma série de aberturas feitas, que sairíamos para vender para os 110 milhões de pessoas credenciadas para comprar microsseguro, pois é um produto para atender as classes C, D e E. Porém, o mais importante de tudo isso é criar uma cultura de proteção”, disse o diretor de Microsseguros da APTS e mentor do Clube dos Corretores de Seguros de São Paulo (CCS-SP); Adevaldo Calegari, no início do evento “Microsseguros: uma visão atualizada no Brasil e no mundo”, promovido pela APTS e ANSP.
A advogada Ana Rita Petraroli, coordenadora da cátedra de Microsseguros da ANSP, acredita que o discurso mundial é destoante com o Brasil, pois o produto vendido lá fora não é atraente para o brasileiro. “O microsseguro começou aqui por causa do microcrédito, mas o seguro tem desvantagem que não é visível, já o crédito produz resultado imediato”.
Para ela, até 2012 houve uma avalanche de oportunidades para seguradoras, mas não fizemos a lição de casa. “Temos que ter educação financeira, o que é fundamental para incluir as classes menos favorecidas no sistema financeiro, principalmente dando a elas autonomia e condições de tomar as melhores decisões possíveis”.
O diretor do Grupo Segurador BB e Mapfre, Bento Zanzini, concorda com a advogada ao dizer que os consumidores das classes menos favorecidas têm acesso ao financiamento, à perspectiva de compra, porém há falta de educação financeira para ter ideia do quanto estão sendo expostos às taxas de juros, por exemplo. “Se o valor cabe no bolso, compra. É por conta disso que os seguros prestamistas cresceram nos últimos 13 anos uma taxa média de 32% ao ano. Nenhum outro ramo cresceu tanto”.
Porém, para ele o momento é muito mais de reflexão, do que de pessimismo. “Porque há um grande potencial ainda a ser explorado. Em 2013, uma pesquisa do Ibope indicou que apenas 13% da população respondeu que tem uma apólice comprada espontaneamente. Em março de 2015 atualizamos esses dados com a Data Folha, que indicou que 20% tem algum tipo de seguro, ou seja, 80% continua não tendo".
Zanzini enfatizou, entre outros assuntos, que ainda existe dificuldade a ser superada. “Sobretudo em relação a cultura do consumidor ao alcance dos modelos de distribuição. Entendo que o crescimento do nosso mercado dependerá muito mais do crescimento do país, do que de normativos de fiscalização”.
Calegari ressaltou que antes a distribuição do microsseguro seria o grande problema, porém não é somente isso, porque há várias formas de resolver, como por exemplo, buscando os líderes comunitários. “Antes de pensar em desenvolver um produto, é preciso preparar uma massa para entender e receber esse seguro. Temos uma tarefa importante para esclarecer o consumidor que, antes de aceitar, tem que entender o que é o seguro e seus benefícios”.
VEJA TAMBÉM
Iniciativa reuniu mulheres para discutir investimentos, formação de patrimônio, previdência e proteção fin ...
Última prova do ano será realizada no dia 29 de novembro, no Complexo Turístico da Ponta Negra, às margens ...
Palestra promovida pela SulAmérica reuniu mulheres na sede do SindsegSC para falar sobre saúde.






