25 de março de 2015
“Devo, não nego, pago quando puder”. Não é oficial, mas este poderia ser o posicionamento do governo em relação ao atraso no pagamento do seguro rural do ano passado.
A conta é salgada: de acordo com o economista da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep); Pedro Loyola, que monitora o tema, o Planalto só quitou R$ 10 milhões dos R$ 700 milhões que foram anunciados pela presidente Dilma Rousseff no lançamento do Plano Safra 2014/2015, em maio do ano do ano passado.
“A dívida é de R$ 690 milhões. Desse total, R$ 390 milhões terão de que ser pagos de qualquer forma, cedo ou tarde, porque já estavam no orçamento. Mas tem R$ 300 milhões que estão indefinidos”, afirma Loyola. Isso porque, segundo a Faep, apesar da promessa da presidente, os recursos não estavam no cronograma de gastos do governo.
O governo federal admite que a dívida existe, mas não aponta números. Em dezembro, o Planalto até conseguiu aprovar uma lei no Congresso Nacional prevendo crédito extra para pagar a conta, mas o Ministério do Planejamento não editou a portaria que liberaria a verba. “Eu acredito que foi para não mostrar ainda mais o déficit fiscal do governo”, opina Loyola.
Movimentação Política
Para o senador Álvaro Dias (PSDB-PR); “o governo está dando um calote nas seguradoras”. Segundo Loyola, a Frente Parlamentar da Agricultura na Câmara dos Deputados pretende convocar a ministra da Agricultura, Katia Abreu, e ministro da fazenda, Joaquim Levy, para explicações.
“Não existe qualquer justificativa oficial. Se o governo não fizer o pagamento, as seguradoras vão cobrar dos agricultores. E, como foi algo prometido pela própria presidente, eles podem entrar na Justiça contra o governo”, completa o economista.
De acordo com a Assessoria de Imprensa do Ministério da Agricultura, o Planalto ainda negocia de onde poderia vir o dinheiro e de que forma o pagamento será feito, mas, até agora, não há quaisquer posições definidas.
O seguro
Os recursos destinados ao seguro rural dentro do Plano Agrícola e Pecuária de cada ano cobrem parte do custo que cada produtor teria para assegurar os financiamentos de custeio. Como o seguro é considerado caro, o governo ajuda a pagar o prêmio (preço do contrato) para evitar endividamento em massa em ano de quebra.
O governo federal cobre de 40% a 70% do valor do seguro, dependendo da cultura (trigo, milho, soja, frutas) cujo cultivo foi financiado. O seguro agrícola não cobre a renda do produtor, apenas o pagamento parcial dos custos de produção.
VEJA TAMBÉM
Iniciativa reuniu mulheres para discutir investimentos, formação de patrimônio, previdência e proteção fin ...
Última prova do ano será realizada no dia 29 de novembro, no Complexo Turístico da Ponta Negra, às margens ...
Palestra promovida pela SulAmérica reuniu mulheres na sede do SindsegSC para falar sobre saúde.






