20 de março de 2015
Em parceria com a Roubini Global Economics, a norteamericana Aon, corretora e consultora de seguros, lançou recentemente a edição 2015 do Mapa Mundial de Riscos Políticos, um estudo que mensura os riscos para se realizar negócios em 163 países, incluso o Brasil, que este ano manteve-se avaliado com a classificação de ‘risco médio’, após registrar queda na avaliação de 2014.
Consultor de riscos políticos e investimentos no exterior da Aon Brasil, Keith Martin conta que o principal motivo para a manutenção da nota se deu pelo fato da eleição no ano passado não ter conseguido reduzir o ruído no ambiente político, que tem sido bastante afetado pelo baixo crescimento econômico e as incertezas quanto à adoção de reformas econômicas e fiscais.
Segundo ele, também influenciaram diretamente para a estabilidade da avaliação do Brasil os problemas decorrentes das investigações junto a empresas estatais e provedores de serviços, que, como consequência atrasam projetos e investimentos necessários ao desenvolvimento do País, principalmente em obras ligadas ao setor de infraestrutura.
O executivo acredita que, as atuais dificuldades enfrentadas pelo Brasil tendem a iniciar um período transformador, no qual podem ser criadas oportunidades para a introdução de reformas favoráveis ao setor privado e que, consequentemente, resultem em uma maior capacidade do País de atrair investimentos. “O novo governo tem um longo caminho a perseguir para recuperar sua credibilidade e há expectativa que esta crise possa gerar resultados positivos a médio e longo prazo”, afirma.
Além do cenário nacional, Keith Martin revela que o mapa da Aon também constatou aumento do risco político de Angola e Moçambique, países em que muitas empresas brasileiras mantêm investimentos maciços. Por outro lado, ele aponta que o Equador – importante parceiro comercial – teve sua nota elevada. “Há uma série de questões políticas e econômicas que devem ser bem avaliadas”, pondera, acrescentando que alguns países vêm atravessando certas dificuldades e, em muitos casos, esses governos tomam iniciativas para proteger suas economias, mas acabam desestimulando o ingresso de investimentos.
Suporte
Para Marcelo Homburger, vice-presidente-executivo da unidade de riscos e seguros da Aon, cada vez mais as empresas procuram avaliar os riscos de se investir em determinadas nações antes da tomada de decisão. “Por usar os dados e análises de mercado mais recentes, nosso relatório ajuda organizações a definirem suas estratégias de investimento em mercados emergentes”, diz.
Ele lembra que as companhias têm que monitorar constantemente sua exposição a riscos políticos, que em muitos casos não são perceptíveis, mesmo em economias e países que possuem uma graduação positiva. Segundo Homburger, o mapa dá uma boa visão geral, mas não substitui uma análise mais detalhada, que pode inclusive ter como resultado decisões de mitigação de riscos, como, por exemplo, a contratação de seguro de riscos políticos.
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