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Estiagem gera sinistros e recusas de pagamentos de indenizações para produtores do seguro rural

Advogado do escritório Agrifoglio Vianna aponta importância do seguro da safra no contexto do agronegócio ...



28 de março de 2023

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Advogado do escritório Agrifoglio Vianna aponta importância do seguro da safra no contexto do agronegócio e a necessidade do mercado segurador estar preparado para atender a forte demanda nos momentos em que o segurado mais precisa do seguro


A economia brasileira é embasada no agronegócio, um dos mais importantes do mundo, e sua produção engloba desde produtos primários até elaborados e prontos para o consumo. O agronegócio também se posicionou como uma importante âncora para a economia brasileira durante a pandemia. No entanto, recentemente, forte estiagem devido à onda de calor registrada em áreas do Sul e do Mato Grosso do Sul trouxe perdas nas lavouras em diversas culturas. A avalanche de sinistros e pedidos de indenização começou no fim de 2021, na safra 2021-2022 e, seguidamente, há novo período de seca na safra 2022-2023.


O advogado Marcelo Dias Camargo, sócio do Agrifoglio Vianna Advogados, explica que, em períodos de estiagem, os sinistros se estendem por todo o mercado. "Quando acontece a seca temos uma enxurrada de avisos de sinistros para todos. É diferente de um seguro empresarial para uma empresa especifica, que quando tem um incêndio, por exemplo, acontece em um só local. No seguro agro, quando se dá a seca, é um terror".


São dois anos seguidos de muitos sinistros e muita safra perdida. "Precisamos priorizar a imagem de confiabilidade do mercado. Tem produtor rural que avisou sinistro na safra 2021-2022, e a seguradora negou por um motivo que cabe discussão. Entretanto, o produtor está com receio de pedir reconsideração porque precisou avisar recentemente o sinistro da safra atual e tem medo de que a seguradora negue o atual em caso de pedido de reconsideração do anterior, que está inclusive em vias de prescrever. O produtor está com medo do mercado segurador, o que não é bom. É nefasta a imagem que fica na cabeça de quem produz: de que o seguro não funciona, que o mercado não atende quando precisa", comenta Dr. Marcelo Dias Camargo.


Ele explica que o seguro rural é um produto de valor considerável, cujo prêmio é de quase 10% do valor da safra garantida. Como são plantações enormes, um produtor que investiu R$ 2 milhões em plantios pagou quase R$ 200 mil em prêmios para contar com o seguro. "É claro que esses sinistros em massa são acaso, o produtor não planta R$ 2 milhões em soja querendo que dê errado ou não tomando as devidas medidas de gestão de risco".


O especialista, argumenta que é fundamental manter a estabilidade e a imagem do setor. "Não é bom que uma seguradora negue sinistro em grande escala e por motivos duvidosos em meio a uma crise em que todos estão sendo afetados. Trata-se de um seguro fundamental, que protege a produção de alimentos, que envolve até mesmo a participação do governo com subsídios para incentivar o desenvolvimento do agronegócio, e que move todo o Brasil. Tem muito produtor que está deixando de contratar seguro, o que é péssimo para o sistema do agronegócio, pois em caso de sinistro perderá seu próprio patrimônio, ou se tornará devedor do banco, o que pode gerar até mesmo uma dificuldade de obtenção de crédito na próxima safra e para aquisição de maquinário. Se colocado em perspectiva, pode haver até mesmo uma crise de crédito no setor para os próximos anos, ou a migração da atividade rural para outro setor. A seguradora é parte da engrenagem e precisa atuar em seu momento de participação".





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