O último jantar na gestão da presidente do Clube da Pedrinha do RS Suellen Farias aconteceu na noite de segunda-feira, 11 de abril, na Casa do Marquês em Porto Alegre (RS). Além do tradicional e delicioso jantar, o encontro anunciou a aclamação da chapa que fará a gestão da Confraria e contou com uma palestra sobre as perspectivas do mercado segurador, com o advogado e presidente da Comissão Especial de Seguros e Previdência Complementar da OAB/RS, Ricardo Villar.
Na abertura do encontro presencial ocorreu a aclamação de todos os integrantes da chapa que conduzirá a Entidade a partir de maio de 2022. Foi ressaltado que a presidente do Clube na próxima gestão será Daniela Menezes dos Santos Zimmer. A posse de toda a nova diretoria acontece no dia 09 de maio.
Com uma explanação lúcida, didática e de fácil compreensão, Ricardo Villar relembrou que há 25 anos atua no setor, tendo trabalhado em companhias seguradoras. Para ele, quem ingressa na área de seguros se apaixona e permanece no ramo: “esse segmento é muito marcante. Quem entre nele acaba gostando e seguindo em frente”. E a vivência profissional acumulada possibilita ao advogado uma visão ampla do setor de seguros: “sou um real defensor da ideia de que existem várias áreas e todos trabalhamos juntos”.
O advogado explicou que as negativas das Companhias são sempre baseadas em cláusulas técnicas, embora tenha esclarecido que tal fato pode ser discutido judicialmente: “os seguros estão sempre mudando. A sociedade de risco se modifica o tempo todo. Com o aparecimento de novos seguros vão sendo criadas cláusulas novas e precisamos observar como elas serão interpretadas”.
Villar disse que atualmente ele realiza a análise dos contratos de seguros e a contextualização deles com os entendimentos dos Tribunais Nacionais: “isso é um trabalho de relevância, porque as Seguradoras conseguem obter aprendizados com essas decisões e ajustar ou modificar seus contratos de seguros”.
Ao fazer uma análise do segmento, Villar observou que o corretor de seguros desempenha a função mais difícil de todo o mercado de seguros, pois ele precisa relacionar-se bem com as Companhias e, ao mesmo tempo, atender aos interesses de seus clientes. “A atividade dele é uma verdadeira frigideira quente, pois esse profissional pode ficar em uma saia justa ao ter que atender a uma negativa de cobertura. Até onde ele pode ir, já que presta atendimento ao seu segurado, mas necessita ter bom relacionamento com a Seguradora?”, questionou o palestrante.
Para Villar, ainda não é expressivo o número de advogados que se dedicam ao Direito Securitário se comparado à representatividade do setor no PIB e também à expressividade de profissionais que atuam em outras áreas da advocacia: “o seguro tem um papel preponderante na vida das pessoas, estando mais presente do se imagina e engloba uma área de atuação multidisciplinar. Ele está conectado com muitas áreas, pois trabalhando com esse setor acabamos tendo que estudar também um pouco de outros segmentos, como engenharia e agronegócio”.
Na avaliação do palestrante, é necessário que ocorra maior disseminação da cultura do seguro na sociedade, para que exista um diálogo mais pacífico entre segurado e seguradora: “com o aprofundamento do tema seguro, mais pessoas conhecerão e compreenderão essa temática e com isso promoveremos diálogos e debates mais qualificados e aprofundados”.
Villar argumentou que em um caso envolvendo seguro, quando é suprimida a visão dos extremos, e a análise ocorre por parte de quem realmente conhece o assunto será analisada a circunstância que envolve o caso: “cerca de 30% a 40% dos casos que atendo são resolvidos através do diálogo com as Seguradoras. Eu espero que esse percentual aumente de forma significativa. Nada é mais duro para o segurado do que ele criar uma falsa expectativa de segurança. Essa é uma luta que nós não vamos parar nunca de fazer o segurado compreender aquilo que é mais importante”.
Villar também alertou para o raso conhecimento do Poder Judiciário em relação ao tema seguro, sendo um fator aterrador para mercado segurador. “Não me refiro às câmaras especializadas, como a 5 e a 6 Câmaras do Tribunal de Justiça, cujos Desembargadores obtiveram experiência e conhecimento ao longo dos anos. Mas vejo Juízes de primeiro grau com pouco conhecimento sobre seguros, tomando decisões equivocadas”, ressaltou o palestrante.
Confira abaixo fotos do encontro do Clube da Pedrinha do RS.
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