A reação do mercado de seguros aos efeitos da pandemia, até em razão do novo comportamento do consumidor, está provocando redução dos preços em carteiras importantes e com um prazo maior para pagamento. É o que mostra reportagem publicada em Caderno Especial de Seguros e Resseguros, editado pelo Valor Econômico.
A Porto Seguro, por exemplo, adotou medidas como flexibilização das formas de pagamento no auge da pandemia, congelamento dos preços na renovação (que ficaram iguais aos de 2019) e parcelamento em até 12 vezes sem juros. Houve ainda reforço dos canais digitais de atendimento, com incentivo à autovistoria para sinistros; e inclusão de novos produtos no portfólio a partir da percepção de um novo comportamento do consumidor e também da busca por alternativas mais econômicas.
A autovistoria de sinistros passou de 7% a 10% do total no pré-pandemia para quase 80% no auge. Hoje, oscila entre 50% e 60%. “Os clientes já vinham procurando um seguro mais flexível e de menor custo. Para atender a demanda, veio o Bllu, por enquanto disponível nas regiões metropolitanas do Rio de Janeiro e Minas Gerais, destinado a veículos com até 25 anos de uso e valor até R$ 50 mil. O preço pode ficar até 30% menor que um seguro tradicional, e uma é novidade deste modelo é o pagamento mensal. É como uma Netflix”, compara o diretor de automóvel da Porto Seguro e Itaú Seguros, Jaime Soares, acrescentando que, em contrapartida, as coberturas são mais limitadas, não há o benefício de serviços residenciais e só pode ser usado nas oficinas da rede.
Segundo o executivo, o principal foco é atrair clientes cujos automóveis ainda não têm proteção.
Já na Allianz Seguros, que comprou a carteira da SulAmérica no ano passado e passou de 5% para 14,1% de participação no mercado de seguro de automóveis, a maior sensibilidade dos clientes aos preços, anterior à pandemia, se acelerou e 2020.
Segundo o diretor Executivo de Massificados e Vida da seguradora, David Beatham, a empresa, que já oferecia seis opções de apólices em qualquer cotação de seguro para atender diferentes perfis de segurados, lançou um novo seguro, que inclui apenas a Responsabilidade Civil Facultativa (RCF); sem proteção de casco o que torna o preço mais competitivo.
O produto, voltado para veículos de até 20 anos de fabricação, cobre danos pessoais e materiais de terceiros, excluindo a cobertura do carro segurado.
A Allianz aposta em crescimento em 2021, seja atraindo novos clientes pessoas físicas com os produtos e coberturas que estão sendo lançados, ou oferecendo ofertas especiais para reter todos os clientes da SulAmérica (em 2021 a marca vai desaparecer no mercado de seguros para auto). Além disso, a companhia pretende crescer no ramo de frota para pequenas empresas, com até 30 veículos, com apólice simplificadas, totalmente digitais, como já ocorre no segmento pessoas físicas.
Por sua vez, a Tokio Marine, que comemora o fato de figurar entre as seguradoras que mais vêm crescendo no mercado, implementou práticas como o congelamento do valor do prêmio, no auge da pandemia; parcelamento em 12 vezes no cartão de crédito; vistoria remota digital para novos seguros e para sinistros e lançamento de produtos mais acessíveis. O resultado foi bastante positivo no fechamento de 2020, com faturamento 3,6% maior em relação a 2019, e acima da média do mercado.
De acordo com o diretor Executivo de Produtos Massificados da seguradora, Marcelo Goldman, a Tokio Marine estabeleceu como objetivo crescer 10% este ano. “Vai ser mais difícil, mas acreditamos que será possível atingir a meta”, afirmou o executivo.
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