O Clube de Seguros de Vida e Benefícios do Rio Grande do Sul (CVG RS) realizou na noite de quarta-feira (17) a segunda edição do evento Sem Fronteiras - Especial Mulheres. O encontro reuniu, de forma virtual, três expoentes do mercado segurador: Regina Lacerda, Nívea Maria e Jane Lucas. Tendo acumulado grande bagagem em suas trajetórias profissionais, as convidadas compartilharam suas vivências e experiências no segmento. A mediação do encontro foi da presidente do CVG RS, Andréia Araújo.
A primeira convidada a falar foi a CEO da Rainha Seguros, Regina Lacerda. Com 31 anos de atuação no ramo ela abordou a temática “O Mercado abre as portas para a feminilidade". Regina relembrou que após dez anos de trabalho em uma função pública no judiciário, ela conheceu o ramo de seguros e apaixonou-se pela nova atividade e decidiu licenciar-se do serviço público, inicialmente por dois anos. “Depois retornei ao judiciário, mas voltei a me licenciar e posteriormente solicitei minha exoneração. Na época era mais difícil arriscar, pois não se falava em empreendedorismo e nem as startups. Muita gente achou estranha minha escolha. Entretanto, eu fui muito corajosa e tinha convicção de meu êxito”.
Do alto de sua experiência, Regina deu conselho às mulheres que estão começando ou que já estão no ramo: “o mercado de seguros é fantástico e encantador. Nós precisamos ter coragem”. Ela também compartilhou experiências com a criação do Clube das Executivas de Seguros de Brasília (CESB); que fortalece a atuação de mais de 160 mulheres que atuam em seguradoras, corretoras e assessorias da região.
Autora do livro "Mulheres no Seguro", Regina tem escutado vários depoimentos de executivas de todo o Brasil e considera que suas histórias e desafios constituem-se em um incentivo para ela. Em sua avaliação as mulheres têm a tarefa de deixar o feminino aflorar para mudar concepções, gerar acolhimentos e criar um mundo mais igual, construído por mulheres de valor.
"Mulheres no Mercado de Trabalho" constituiu-se no tema abordado pela corretora de seguros e promotora de crédito, Nívia Maria. Residindo em Brasília, Nívia relatou que sua jornada profissional construída ao longo dos anos foi marcada por muito preconceito por ela ser mulher e nordestina. “Quando cheguei à Capital Federal fui trabalhar com crédito consignado, numa época em que não existiam mulheres nesse setor. Sofri preconceitos de desigualdade salarial, assédio sexual e o descrédito dos homens. Tive que ser forte e me impor”.
Entretanto, esses episódios acabaram por fortalecer sua trajetória de vida: “os ensinamentos de minha mãe sobre força, trabalho e autoconfiança me ajudaram significativamente”. Nívia informou que começou a trabalhar com vendas aos 11 anos de idade para auxiliar a mãe que era representante comercial da Avon: “mulher batalhadora, ela foi meu grande exemplo. Com ela aprendi tudo sobre vendas, inclusive sobre marketing”.
Nívia disse que sempre tem vários projetos e metas a realizar. Ela assegura que vem percebendo que cada vez mais mulheres estão conquistando cargos de confiança em diferentes segmentos: “tenho muito orgulho de ser mulher e de ser empreendedora”.
Ex-gestora de Seguradora, corretora de seguros, escritora e terapeuta de rua, Jane Lucas destacou em sua participação o olhar da invisibilidade ao povo da rua. Tendo já escrito oito livros, sendo três solo, Jane ocupa hoje a cadeira de número 102 da Academia de Literatura Brasileira da seccional Rio Grande do Sul.
Jane afirmou que possui predileção por uma escrita ácida: “descobri que eu gostava do coletivo e talvez por isso minha paixão pelo seguro, pois ele olha o social, o coletivo”. Ela é criadora da Terapia de Rua, que consiste em uma modalidade de aplicação de terapias realizadas em calçadas e ruas. Seu primeiro livro, “O grito do silêncio dos esquecidos”, é uma homenagem ao povo que circula na rua: “a essas pessoas que são invisíveis e aí se encontram conosco, com as mulheres, na invisibilidade da sociedade. Esse é um peso gigantesco. O peso de nos desintegrarmos para não incomodar o outro". Jane considera que em qualquer país ser mulher é difícil tanto quanto fazer parte do povo da rua: “nós mulheres temos o peso da sobrecarga, pois temos o regime de escravidão mais antigo que se perpetua pela Terra, como no caso da dona de casa que trabalha diariamente por 16 horas sem remuneração e mesmo assim não tem o reconhecimento da sociedade”.
Esse tipo de dilema levou Jane e um grupo formado por apoiadoras do setor de Seguros, além de escritoras, advogadas e médicas, a montar a ONG Guerreiros dos Girassois. A entidade oferece mais do que doações. "Oferecemos liberdade e emancipação através da arte, da conversa, da terapia e da literatura. Cada pessoa na rua tem dores assim como nosso feminino é tão machucado, né?”.
Saiba mais
Durante as quartas-feiras do mês de março o projeto "CVG RS Sem Fronteiras" está dialogando com o mercado segurador sobre questões relevantes ligadas ao setor. O próximo encontro será quarta-feira, dia 24 de janeiro, às 19 horas no canal do CVG RS no Youtube.
VEJA TAMBÉM
Iniciativa reuniu mulheres para discutir investimentos, formação de patrimônio, previdência e proteção fin ...
Última prova do ano será realizada no dia 29 de novembro, no Complexo Turístico da Ponta Negra, às margens ...
Palestra promovida pela SulAmérica reuniu mulheres na sede do SindsegSC para falar sobre saúde.






