Órgão entra nas negociações por apoio a Arthur Lira (PP-AL).
Indicada pelo ministro Paulo Guedes (Economia) para o cargo, a atual superintendente da Susep (Superintendência de Seguros Privados); Solange Vieira, corre o risco de perder seu posto para um nome indicado pelo governo em troca de apoio ao deputado Arthur Lira (PP-AL); candidato apoiado pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) para o comando da Câmara.
Desde o meio do ano passado, políticos vêm pressionando o governo para substituir a gestora por alguém alinhado com o centrão.
Com a eleição para a presidência da Câmara e do Senado, a pressão aumentou. Segundo relatos, a superintendência e cargos atrelados a ela foram oferecidos em mais de uma ocasião por parlamentares ligados a Lira e pelo próprio candidato, em busca de votos.
O órgão entrou no jogo por ser considerado estratégico para um grupo de deputados —em 2020, teve orçamento atualizado de R$ 419,7 milhões.
De acordo com integrantes do Legislativo e do mercado de seguros, são fortes os pedidos para que seja feita a troca de Solange.
Os partidos que reivindicam a Susep são velhos conhecidos do setor: o PTB e o Solidariedade.
Armando Vergílio, presidente do Solidariedade de Goiás, disse no ano passado que Solange era inexperiente e não dialogava com o mercado. Seu filho, o deputado Lucas Vergílio (Solidariedade-GO); também costuma criticar abertamente a superintendente.
Armando presidia a Fenacor (Federação Nacional dos Corretores de Seguros Privados e de Resseguros) desde 2002, quando foi nomeado para a superintendência da Susep, em 2007. Deixou o posto em 2010 para concorrer ao cargo de deputado federal.
Em 2016, ele ajudou a nomear Joaquim Mendanha, então presidente do Sindicato dos Corretores de Goiás, para comandar a autarquia.
Armando ocupava a vice-liderança do Governo na Câmara até o fim de 2019. Porém, abriu mão do cargo por discordar da política do governo para o setor de seguros.
Outro partido de olho na Susep, o PTB, de Roberto Jefferson, também tem histórico no mercado de seguros.
O político já se envolveu em polêmicas no setor, como o escândalo do IRB, suposto esquema de propinas vindas do instituto de seguros em favor do deputado, e o envolvimento de uma antiga corretora sua em conturbadas licitações do setor.
Há integrantes do PSD que também têm interesse em fazer indicações ao órgão.
Pessoas próximas a Lira também acenaram com a Susep para a cúpula do PSL. O presidente do partido, Luciano Bivar (PSL-PE); trabalha no setor de seguros, mas decidiu não apoiar o candidato do PP à Câmara.
A Susep é apenas um dos órgãos que têm sido colocados na mesa por aliados do governo em troca do apoio a Arthur Lira.
De acordo com relatos de parlamentares, o candidato já ofereceu até a chefia de ministérios, como o da Cidadania, ocupado hoje por Onyx Lorenzoni (DEM); a deputados.
As promessas de cargos no primeiro escalão, porém, só seriam concretizadas após a eleição do Congresso, que deve ocorrer entre os dias 1 e 2 de fevereiro.
Além de oferecer postos na máquina federal, a campanha de Lira também tem agido na outra ponta ao ameaçar exonerar indicados de políticos que não endossem a candidatura de Lira.
O objetivo da estratégia é estimular traições em partidos que hoje estão alinhados a Baleia Rossi (MDB-SP); principal adversário de Lira na disputa. Embora os dirigentes de PT, PC do B, PSB, PDT, PSL, DEM, PSDB, Cidadania, Rede, PV tenham anunciado apoio a Rossi, há defecções registradas em todas as siglas.
Até no MDB, presidido por Rossi, haveria dissidentes. Uma parte dos parlamentares das siglas de centro tem cargos no governo e, segundo deputados ligados a Lira, poderiam perdê-los caso não se engajem na campanha dele.
Fora isso, o governo colocou à disposição de Lira o controle da liberação de emendas, também usadas para atrair apoios.
Antes da eleição no Congresso, Bolsonaro fez uma série de concessões para conseguir uma base mínima de apoio no Legislativo e entregou cargos importantes a indicados do centrão.
O núcleo desse grupo de partidos é composto por PP, PL, Republicanos, Solidariedade —que não definiu quem apoiará na eleição. O PSD se alinha ao conjunto de deputados em votações e conduta, mas nega fazer parte do centrão.
Essas siglas ganharam no ano passado o comando de órgãos como o FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação); Codevasf (Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba); Dnocs (Departamento Nacional de Obras Contra as Secas); Funasa (Fundação Nacional de Saúde)
Já o Ministério das Comunicações é controlado pelo deputado federal licenciado Fábio Faria (PSD-RN). Integrantes do PSD e do governo, porém, dizem que a escolha por Faria foi pessoal e não partidária.
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