A AXA no Brasil promoveu ao longo de 2020 um ciclo de lives que teve como propósito debater temas relevantes com os corretores e os parceiros, contribuindo para seu desenvolvimento profissional e pessoal. No último evento virtual do ano a Seguradora convidou o palestrante, consultor, escritor, Doutor e livre-docente pela Escola de Comunicações e Artes da USP, Clóvis de Barros Filho.
A atividade remota aconteceu na tarde de terça-feira (15) no perfil da Seguradora no Instagram, e foi mediada pela diretora comercial da regional Rio de Janeiro/Espírito Santo e Digital BR da AXA, Karine Brandão. “O que vamos levar de 2020 e quais são as reflexões para uma vida mais plena” foi o tema do encontro com Clóvis de Barros Filho.
Já na abertura, a executiva da AXA fez uma breve reflexão ressaltando que 2020 foi um ano totalmente atípico, desafiador e que empurrou pessoas e organizações para mudanças sem elas estarem preparadas: “isso exigiu reflexões e muita resiliência de todos. O mundo se modificou”.
Karine perguntou ao convidado como ele estava enxergando o atual momento de pandemia vivo pela sociedade. O palestrante argumentou que a situação de quarenta constitui-se em um daqueles momentos de ruptura do cotidiano que pode trazer para cada pessoa uma oportunidade muito rica de reflexão sobre a vida, que o dia a dia costuma impedir.
“A quarentena é um momento muito privilegiado de vida mais focada e que se autoriza uma reflexão sobre si mesma. Considero que o incremento da incerteza foi algo muito significativo para todas as pessoas. Ao longo da história sempre sofremos com dor, tristeza e angústia. Mas o que é novidade para nós é uma certa incapacidade de antecipar e pensar o amanhã, trazendo-o em forma de projeto. Portanto, o amanhã se converteu em um grande vazio ou num enorme ponto de interrogação”, refletiu o palestrante.
Clóvis de Barros Filho avalia que existe um paradoxo, pois a humanidade nunca foi tão bem informada, mas por outro lado a sociedade nunca esteve tão incapacitada de antecipar o amanhã.
A executiva da AXA questionou ao professor se quando as pessoas não possuem autenticidade isso de alguma forma causa o aumento da ansiedade. “O que levaria uma pessoa passar a vida tentando convencer os outros de que ela é o que de fato ela não é? E a reposta é simples: ela deve imaginar com isso algum ganho, que seria o de atender a uma expectativa imaginada por parte de terceiros e de si mesmo. Só que essa pessoa se torna escrava do olhar do outro e volta e meia ela tem que trocar a personagem que representa perante a sociedade. Depois de colocar tantas máscaras na cara é possível que o indivíduo nem lembre seu verdadeiro que foi soterrado pela falsidade e hipocrisia. Ter que sustentar um personagem o tempo todo é insuportável e aí aparece a ansiedade”, explicou o escritor.
Clóvis de Barros Filho fez um questionamento sobre o que a quarentena pode proporcionar de positivo ao ser humano. E o próprio consultor respondeu: “a nova sintonia de presencialidade, que consiste em uma espécie de treinamento para que o presente assuma as rédeas da vida. Penso que a quarentena é um espaço de recolhimento em que temos mais tempo para identificar os valores da vida”.
Aproveitando alguns pensamentos feitos pelo palestrante, Karine Brandão afirmou que a sociedade está vivenciando um momento de muita reflexão em que as incertezas continuarão a existir em mundo de crescente ansiedade e desconexão. “Necessitamos alimentar a alma para ficarmos cada vez mais conectados e conseguirmos lidar com o planejamento das empresas que precisam mudar e adaptar a estratégia de novos negócios”.
De acordo com o consultor nunca na história da humanidade um número de tão grande de pessoas sofreram tanto pela mesma razão: “não é possível que não consigamos nos dar conta do quanto a vida poderia ser mais rica se conseguíssemos ir além das próprias vantagens”. Para Clóvis de Barros Filho um percentual da sociedade considera a comodidade do amanhã como um grande valor. “Só que a comodidade do amanhã é uma espécie de saco sem fundo. Atrelar a felicidade a esse tipo de valor é um profundamente empobrecedor. É preciso valorizar a simplicidade, pois ela pressupõe a competência de obter prazer com o que está ao seu alcance. Uma pessoa rica não é aquele possui muito dinheiro e patrimônio, mas sim alguém que é prazeroso com o que tem”.
Por fim, Clóvis de Barros Filho concluiu sua participação na live com valiosas reflexões que servem tanto para a vida pessoal como para o ambiente corporativo. “Dê atenção aos pequenos momentos e aos pequenos projetos. Não espere do mundo hoje mais do que o mundo pode te dar, porque você acumulará sucessivas frustrações. É necessário que cada um de nós análise a própria capacidade e sabedoria para viver bem diante do que está ao alcance. Jesus de Nazaré disse que ao amar os outros, você ratifica o que existe de melhor em você”.
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