Uma matéria do Valor econômico afirma que numa estratégia de abrandar um possível ressarcimento a empresas em caso de sinistro no seguro garantia, a Odebrecht incluiu cerca de R$ 5 bilhões em contratos de seguros em seu processo de recuperação judicial.
O Valor apurou e, em resposta, as seguradoras devem tentar impugnar os créditos junto ao administrador judicial e, caso não consigam, pedirão na Justiça para serem excluídas do processo, assim como fizeram no caso das construtoras PDG e OAS.
No Brasil, a recuperação judicial da Odebrecht é a maior, existem dívidas de cerca de R$ 98,5 bilhões. Cálculos do Valor indicam que, no caso das seguradoras, o valor total da dívida é de R$ 4,8 bilhões, incluindo empresas da Argentina, Brasil, Colômbia, México, além de nomes de grandes companhias, como AIG, Liberty, Chubb e JMalucelli. Nenhuma empresa comentou.
“Na lista de credores, a seguradora é indenizada conforme o plano de recuperação judicial, com carência e desconto”, afirma uma fonte do Valor, que preferiu anonimato. “Fora da recuperação, ela é considerada credora extraconcursal e, portanto, pode receber 100% dos valores e penhorar bens da companhia.”
O questionamento e queixa das seguradoras é que estão incluídas na recuperação judicial da empresa, mesmo sem o sinistro ter ocorrido ainda, ou seja, sem de fato terem dívidas com o grupo.
Utilizando esse argumento, as seguradoras Austral, Allianz e Swiss Re conseguiram tirar seus nomes da lista de credores. Procurada pelo Valor, a Odebrecht não se manifestou sobre o assunto até o fechamento da reportagem.
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