17 de dezembro de 2014
Miriam Leitão entrevistou o novo ministro da Fazenda, Joaquim Levy para o “Bom Dia Brasil”. Ele falou sobre o ajuste nas contas públicas, inflação, crescimento e não descartou um aumento do imposto sobre combustíveis.
Miriam Leitão: O senhor pode adiantar alguma coisa sobre o pacote de ajuste das contas públicas?
Joaquim Levy: Tem que ser um pacote balanceado, e acho que a prioridade é: a gente tem que olhar os gastos, os diversos gastos que já foram feitos, estancar alguns, reduzir outros. E, na medida do necessário, a gente pode considerar algum ajuste de impostos, sempre olhando a compatibilidade com aquele objetivo que a gente falou: de aumentar nossa taxa de poupança. É muito importante o Brasil poupar um pouco mais para poder investir mais e também estar preparado para este mundo, que nos últimos dias, inclusive, está claro, está mais turbulento.
Miriam Leitão: O senhor pensa em aumentar a alíquota do imposto sobre combustíveis, a Cide?
Joaquim Levy: É uma possibilidade. Há outras. Mais importante é a gente explicar o que a gente está vendo, o diagnóstico, e porque que a gente vai tomar as medidas. A sociedade sabe disso, tanto que desde meados do ano passado, todas as pesquisas diziam que as pessoas queriam mudanças, e parte da mudança é exatamente essa reorientação da economia, para muita realidade, muita aderência a tudo que está acontecendo e, na parte fiscal, um fortalecimento fiscal.
Miriam Leitão: Ministro, o seu período de governo já vai começar com uma inflação muito forte. Quando o senhor acha que é possível contar uma boa notícia para os brasileiros?
Joaquim Levy: Primeiro, janeiro tradicionalmente é um mês de inflação mais alta, porque tem muitas correções. Além disso, como você mencionou, está acontecendo uma coisa importante, uma mudança importante está programada. Acredito que vá acontecer, que é exatamente, dada a situação hídrica, a situação da energia, as térmicas estarem ligadas. Este ano aquele mecanismo lá das bandeirinhas, ou seja, você garantir que aquele esforço adicional, o custo adicional das térmicas estejam refletidas nas contas de luzes, para duas razões: primeiro para não acumular um passivo, que depois fica difícil de resolver; segundo porque é óbvio que na hora que você ajusta o preço, as pessoas elas sentem e ajustam o consumo. Esse poder dos preços orientarem as decisões é muito importante. Agora a inflação, eu acho que, até pelo trabalho fiscal, ela vai entrar em devido momento em um processo de queda. Mas eu acho que o Banco Central está vigilante e vai tomar as medidas adequadas para isso.
Miriam Leitão: Agora a disparada do dólar. O que o senhor acha que tem que acontecer, qual deve ser a reação da equipe econômica a um dólar tão alto?
Joaquim Levy: A gente também tem que ver como o dólar vai evoluir. Hoje, com a queda do petróleo, lógico que há uma enorme versão ao risco, ninguém sabe muito bem o que vai acontecer e todo mundo foge para o dólar. Há uma tendência de valorização do dólar no mundo inteiro porque os Estados Unidos estão andando mais rápido.
Miriam Leitão: Se a Petrobras precisar, o Tesouro poderá socorrer?
Joaquim Levy: Eu acho que a capacidade de reação da Petrobras é forte e ela vai saber, como qualquer companhia que enfrenta dificuldade, se ajustar. Se o acionista majoritário vai ser alguma vez solicitado, eu acho que ainda é cedo para a gente fazer um julgamento sobre isso.
Miriam Leitão: Quando o Brasil vai poder retomar o crescimento?
Joaquim Levy: Olha eu diria assim: a experiência mostra que quando você faz ajustes de uma maneira firme e equilibrada, a reação é muito rápida. A gente fazer as medidas necessárias no tempo, e não esticar demais, na verdade, ajuda a no fim preservar empregos, ajuda a gente a rearrumar as coisas e recomeçar.
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