Justiça condena homem por planejar assassinato da esposa para ficar com dinheiro do seguro

11.10.2018 - Fonte: G1

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Marido pegou 14 anos de prisão. Dupla que executou ação também foi condenada: um a 12 anos e outro a 9 anos. Crime aconteceu em Bauru (SP), em junho de 2017.

Depois de mais de 13 horas de julgamento, a Justiça condenou três homens pela morte de Cleide Godoy, de 53 anos, em Bauru (SP), entre eles o marido da vítima, acusado de ser o mandante do crime. Cleide foi morta a tiros no dia 10 de junho de 2017 e o caso foi registrado como feminicídio.

De acordo com a Polícia Civil, o marido de Cleide, Otacílio Godoy, condenado a 14 anos de prisão em julgamento nesta terça-feira (9), contratou outros dois homens para assassinar a mulher e, com isso, ter acesso a seu seguro de vida, no valor de cerca de R$ 60 mil. Ele foi preso três dias depois da morte da vítima.

O advogado de defesa dele, Hudson Fernando de Oliveira Cardoso, informou que o cliente não pretende recorrer da decisão. “Só iremos fazer isso caso o Ministério Público queira recorrer para alterar a pena”, informou o advogado que foi designado pela Defensoria Pública para o caso.

Além de Otacílio, também foram presos José Carlos Vieira Silva e Zenaldo Leite da Silva, os autores do assassinato. Eles confessaram que cometeram o crime a mando de Otacílio, que teria prometido um recompensa de R$ 8 mil.

Otacílio foi condenado a 14 anos de prisão em regime fechado por homicídio duplamente qualificado, por motivo torpe e por ter armado a emboscada que terminou com a morte da esposa.

O homem que atirou a vítima, Zenaldo Leite, foi condenado a 12 anos de prisão por homicídio e José Carlos Vieira, que teria sido o homem contratado por Otacílio, foi condenado a 9 anos e dois meses de prisão por participação no crime.

A defesa de José Carlos informou que vai recorrer da decisão em relação a uma das qualificadoras do crime, porque segundo um dos advogados do réu, Thiago Luis Rodrigues Tezani o cliente não estava fisicamente presente no local do crime. “Ele estava a 30 metros do carro onde aconteceram os disparos, por isso não comunica a qualificadora de simulação”, explica. Com isso, a defesa pretende reduzir a pena de José Carlos para 8 anos.

O G1 tentou contato com a defesa de Zenaldo Leita da Silva, mas não obteve retorno até a publicação da matéria.

O crime

A ação ocorreu em uma estrada de terra que liga os bairros Núcleo Gasparini e Pousada da Esperança. A vítima e o marido haviam acabado de sacar R$ 1 mil em um supermercado na Vila São Paulo, sendo que mulher já tinha R$ 5 mil guardados na bolsa, quando dois criminosos em uma moto abordaram a dupla e anunciaram um assalto.Segundo o depoimento do marido no dia do crime, a esposa, de 53 anos, teria reagido e, por isso, levou três tiros dos criminosos, que fugiram logo após o ocorrido.De acordo com a filha do casal, Adriana Godoy Ligera, o casal chegou a se separar, mas havia reatado o relacionamento e inclusive realizado um segundo casamento no ano passado. Ainda segundo a filha, a mãe escrevia em um diário e chegou a citar a falta de carinho do maridoe clima de desconfiança que o jeito introspectivo dele gerava na família.

Investigação
A Polícia Civil começou a esclarecer o crime após se defrontar com diversas informaçõs falsas passadas por Otacílio em seu depoimento após a morte da mulher. Imagens de circuitos de segurança e quebra de sigilo telefônico do celular usado pelo marido no dia do crime revelaram as incoerências do depoimento.
No registro das câmeras, o marido está no estacionamento do supermercado falando ao celular. Em junho de 2017, ele havia contado à polícia que estava conversando com o cobrador da dívida, mas na verdade, segundo a polícia, avisava aos criminosos contratados que em breve estaria no local combinado. 

Como os criminosos levaram a bolsa de Cleide com R$ 6 mil em dinheiro, o caso estava sendo investigado como latrocínio. Porém, uma nova mentira chamou a atenção dos policiais. Otacílio se desfez do celular, mas disse que policiais militares à paisana o teriam confiscado para perícia.

Como esse procedimento não é padrão, a Polícia Civil pediu à Justiça a quebra do sigilo telefônico do celular de Otacílio. O rastreamento das ligações feitas na noite do crime levou os policiais aos comparsas contratados, que confessaram a armação.

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