ARTIGO: Tecnologia e Elis Regina no Mercado de Seguros, por Marcelo Blay

19/07/2016 / FONTE: Marcelo Blay | CEO da Minuto Seguros

O mercado de seguros, assim como todas as atividades econômicas, está passando por um momento de interessantes mudanças. Temos visto várias indústrias sendo repensadas a partir do surgimento de novas tecnologias, como o Airbnb desafiando a indústria hoteleira e o Uber na área de transporte de passageiros.

O que tem acontecido no mercado de seguros? Em geral, imagina-se que a revolução virá do lado da distribuição. Sem dúvida que esta passa por transformações, mas a complexidade dos produtos e a falta de conhecimento a respeito do seguro em si fazem com que o elemento humano ainda seja parte importante do processo de contratação. Até o Google, gigante do mundo da tecnologia, decidiu interromper sua incursão no mundo da venda de seguros pela internet. Chegou à conclusão que os clientes precisam de um apoio humano durante e após o processo de contratação, fugindo do conceito totalmente online da empresa.

No entanto, uma revolução silenciosa vem tomando corpo em mercados maduros, em diversas etapas do processo, desde o próprio conceito de seguradora até o da administração de sinistros.

Conceito de seguradora: uma start-up chamada Lemonade se propõe a aproximar grupos de pessoas querendo comprar seguros e investidores querendo bancar esse risco.

Seguro para grupos específicos: a Bought by Many se especializou a congregar pessoas com necessidades específicas para solicitar o desenvolvimento de produtos adequados ou pleitear descontos. Por exemplo: seguro saúde para ciclistas.

Desenvolvimento de produtos: diversas seguradoras já têm para venda seguros de carro com cobrança do prêmio baseado no uso do veículo, isto é, como, quando e onde o segurado efetivamente dirige. Estão ficando cada vez mais populares produtos “PAYD – Pay as You Drive” (pague baseado no uso do veículo) e PHYD – “Pay How You Drive” (pague baseado em como você dirige). Exemplo: Metromile, empresa que cobra por milha dirigida, além de monitorar o uso de combustível, a manutenção do veículo e sua localização.

Venda cruzada: a Simplesurance desenvolveu solução para a venda cruzada (“cross sell”), através da integração da seguradora com o e-commerce, fazendo a oferta do seguro no “carrinho do pagamento” (“check out”).

Preço e subscrição de risco: aqui temos empresas extremamente inovadoras. A Cuvva faz o seguro do carro que você pegar emprestado de um amigo, pelo tempo do empréstimo, como por exemplo, uma hora. Todo o processo é feito num smartphone. A Sure faz o seguro viagem específico para o voo, cobrindo do momento que o avião levanta voo até o pouso. A Kroodle usa o perfil da pessoa no Facebook para coletar informações importantes na formação do preço, permitindo a compra de seguro de vida em um passo apenas. Já a Social Intelligence busca informações nas redes sociais para ajudar seguradoras a precificar um risco com carência de dados.

Organização: a Knip e a GetSafe permitem que o cliente armazene em apenas um lugar todas as informações sobre seus seguros.

Administração de sinistros: a Snapsheet é um aplicativo que permite que o cliente tire as fotos de seu carro batido e em menos de 3 horas já receba um orçamento para o conserto. A Spex atua no dia a dia de vistoriadores através de ferramentas tecnológicas que facilitam a análise de documentos. A Bauxy permite que os segurados apenas tirem uma foto do recibo de pagamento de um conserto de lente de óculos e faz todo o processo para ajudar o cliente a receber o ressarcimento da seguradora. Algumas seguradoras já estão usando drones para inspecionar riscos.

Internet das Coisas (Iot – Internet of Things) e telemática: seguradoras estão usando informações geradas por meio da IoT e telemática para prevenção de acidentes e precificação de riscos.

O mercado brasileiro ainda está em fase muito embrionária em termos de aproveitamento do potencial que a tecnologia pode trazer em comparação com modelos de outros países. Atualmente, temos basicamente processos de cotação, transmissão e poucas outras operações via webservice. Se as seguradoras conseguissem integrar os sistemas de suporte à venda (como vistoria prévia, transmissão, emissão, por exemplo) e de pós-venda (endosso, sinistro, resolução de inúmeras pendências), teríamos uma grande redução de custo operacional, tanto do lado das seguradoras, como das corretoras. Essa economia poderia ser revertida para preço, transferindo o benefício para os consumidores, permitindo que mais clientes tenham recursos para comprar o produto, ampliando ainda mais o mercado e favorecendo ganhos de escala.

Não temos certeza sobre como será o futuro, mas relembrando Elis Regina “sei que nada será como antes amanhã”.

Por Marcelo Blay, CEO da Minuto Seguros

0 0